Mostrando postagens com marcador Celso Athayde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Celso Athayde. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Invent e a FHolding (mantenedora da Central Única das Favelas – Cufa) unem forças e lançam no Rio de Janeiro, a iNFavela


Mesmo com o potencial de consumo da classe C descoberto, a base da “pirâmide social” se manteve pouco explorada, principalmente, devido à falta de conhecimento da localidade e às dificuldades de logística nas favelas. Na tentativa de preencher esta lacuna, a Invent e a FHolding (mantenedora da Central Única das Favelas – Cufa) uniram forças e criaram a iNFavela, agência de live marketing (aproximação física entre empresas de pessoas) que promete ser o passaporte de entrada das grandes companhias nesses territórios. O lançamento oficial da empresa aconteceu nesta quarta-feira (4/2), no terraço do Consulado Italiano no Rio de Janeiro, no Centro do Rio.
A iNFavela terá presença nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Salvador, sendo que a sede principal será no Rio, em Madureira. Até o momento, a agência possui 25 funcionários, sendo que 75% destes são pessoas das próprias comunidades onde o empreendimento atuará. Com um orçamento de R$2 milhões previsto para 2015, a iNFavela passa a integrar o Grupo PPG e chega com o objetivo de aproximar as grandes empresas dos consumidores das favelas e ajudá-las a entender esse mercado fértil e inabitado, através de experiências criativas entre as marcas e o público-alvo.
As favelas movimentam cerca de R$ 64,5 bilhões por ano – de acordo com a pesquisa Radiografia das Favelas Brasileiras, do Instituto Data Favela, 2013 -, capital semelhante ao PIB de Paraguai e Bolívia juntos. E é, justamente, neste cenário que a iNFavela pretende atuar. “A proposta é atuar no território de periferias e favelas de todo o Brasil. Vamos fazer com que marcas que não tenham acesso a esses locais passem a ter, de maneira planejada e eficiente. Esses locais têm uma economia pulsante, que precisa ser estimulada de forma responsável, é claro”, afirma Sandro Ferreira, presidente da Invent e da iNFavela.
Para Celso Athayde, fundador da Cufa e presidente da FHolding, a iNFavela chega para solucionar tanto o problema das empresas quanto dos consumidores que moram nas favelas. “Estudamos o comportamento dos moradores das favelas e percebemos que existe uma lacuna grande entre os interesses e as necessidades dessas pessoas e a oferta das grandes empresas. Isso acontece porque até hoje a comunicação voltada a essa população foi muito pouco explorada. Com a iNFavela, vamos aproximar essas empresas deste público e trazer benefícios para os dois lados”, explica Celso Athayde.

sábado, 20 de setembro de 2014

Livro ‘Um País Chamado Favela’ é lançado na Cufa com presença de presidenciáveis


O Espaço CUFA, situado sob o Viaduto de Madureira, recebeu, o lançamento do livro “Um País Chamado Favela”, escrito por Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas, e Renato Meirelles, presidente do Data Popular. Com a casa cheia, os autores receberam importantes convidados, como o senador Aécio Neves, que estava acompanhado do ex-jogador de futebol Ronaldo “Fenômeno”, no domingo, e, no sábado, da presidente Dilma Rousseff, acompanhada do governador Luiz Fernando Pezão e de Pedro Paulo, representante da prefeitura do Rio de Janeiro.
Recepcionados por jovens atendidos pelos projetos da Cufa e lideranças de comunidades, os convidados conheceram cada canto do novo Espaço Cufa, jogaram capoeira e ensaiaram passos de dança de rua, além de discursarem sobre o livro lançado, que retrata um Raio-X das favelas brasileiras. No domingo, antes de chamar as autoridades no palco, Celso Athayde convidou um MC que estava no local, e junto com Renê Silva soltaram a voz ao som do clássico do rap “Eu só quero é ser feliz”, dos Mc’s Cidinho e Doca.
No dia 25 é a vez de receber Marina Silva.

segunda-feira, 17 de março de 2014

TERRA, O PLANETA DOS MACACOS!



Celso Athayde lança campanha contra o racismo e engaja milhares de pessoas na Semana do Macaco

Celso Athayde, fundador da CUFA – Central Única das Favelas, chamou a semana que estamos em “a Semana do Macaco” e encontrou uma forma bastante criativa e bem humorada de chamar à reflexão um tema polêmico na sociedade, o Racismo.

Comparando as semelhanças entre a diversidade racial dos macacos e a diversidade étnica dos homens, Celso chamou a atenção para o fato de haver na natureza macacos brancos, pretos, marrons, amarelos e vermelhos assim como há homens louros, negros, morenos e pardos, botando uma lente de aumento na constatação de que todos, brancos, indígenas ou negros, guardamos semelhanças com nossos ancestrais primatas, não havendo razão para a associação do animal apenas ao negro e, sobretudo, para os tristes cenários de racismo que ainda se observa no Brasil.  

Sucesso absoluto na internet, a campanha teve a adesão de milhares de pessoas que, em apoio, trocaram suas fotos de perfil pela de um macaco de características semelhantes às suas e utilizaram as hashtagas #SemanadoMacaco e #NaoaoRacismo . Ainda pelo caráter lúdico da proposta, a campanha teve um enorme apelo também entre as crianças que tiveram a chance de ser introduzidas ao tema de uma maneira bastante criativa e reflexiva.

Com o fim da Semana do Macaco, a campanha encerra-se neste domingo, dia 16/03, às 17 horas, com uma grande celebração contra o racismo na Estrada Intendente Magalhães, Madureira-Campinho , Rio de Janeiro. Na festividade, que contará com um desfile da escola de samba Portela, os componentes prometem fazer um grande abraço no desfile e  se caracterizar como macacos, pintando seus rostos.

Mas se a campanha se encerra no domingo, a conscientização em favor da igualdade social segue firme na luta contra o racismo. Como desdobramento da campanha, os alunos da Escola Municipal Mário Fernandes Pinheiro, em Campo Grande, Rio de Janeiro, farão na próxima segunda-feira, 24/03, às 14 horas, uma exposição de suas “identidades primatas”, como resultado da pesquisa sobre macacos que tivessem aparência semelhante às suas, proposta pela Professora Verônica Marcílio, baseada na campanha #SemanaDoMacaco.

Para mais informações sobre a Campanha do Macaco visite www.cufa.org.br

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fórum Nova Favela Brasileira confira como foi o primeiro dia

Comemorando o dia nacional da favela, Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas, abriu o fórum NOVA FAVELA BRASILEIRA contando ao público sobre sua incrível trajetória de vida. Celso ressaltou a parceria com grandes empresários, o nascimento da F Holding e o lançamento do DATA FAVELA,  o primeiro instituto de pesquisa especializado nos moradores de favelas do Brasil.
Na sequência, Renato Meirelles, sócio do Data Popular e um dos fundadores do DATA FAVELA , iniciou sua apresentação contando sobre a parceria com Celso Athayde na criação do instituto e na realização da pesquisa com mais de 2000 moradores de favelas do Brasil.  De acordo com a pesquisa, a evolução das favelas nos últimos 10 anos foi crescente e embora a falta de investimentos por parte do governo ainda seja preocupante, a projeção para os próximos anos são animadoras.


Para o painel, “Favela Brasileira Encontro de Olhares”, foi convidado ao palco o Ministro da Saúde Alexandre Padilha que palestrou sobre o programa “Mais Médicos” do governo federal, enfatizando a repercussão do programa na sociedade. Ato contínuo, Luís Fernando Nery, diretor de comunicação da Petrobras foi convidado para falar sobre os projetos que a empresa desenvolve nas favelas brasileira, especialmente o projeto “ Me inspira”.
Dando sequência à série de palestras, foi aberta a mesa de debates para abordar a favela pela favela. A mesa contou com a participação de Lázaro Ramos, Mv Bill, Jailson Silva e mediação da jornalista Flávia Oliveira.


Depois do almoço, Renato Meirelles retomou as atividades do Fórum dando continuidade aos resultados obtidos pela pesquisa realizada pelo DATA FAVELA. Para abrilhantar a palestra, Luiz Barreto, presidente do SEBRAE e patrocinador do evento, falou sobre empreendedorismo na favela e suas oportunidades de negócio. Em seguida, Gabriela Onofre, diretora de comunicação da P&G, palestrou sobre seu trabalho a frente da empresa bem como sobre sua parceria com a Central Única das Favelas em grandes ações sociais como “Taça das Favelas” e “Top Cufa”.

Mais tarde, foi a vez de tratar sobre o delicado tema da criminalidade das favelas e o sistema prisional. O foco foi a falta de segurança pública que sempre foi um problema na nossa sociedade. Foi abordado pelo Secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, o Coronel Cesar Carvalho, a grande ocorrência de negros e pobres na população carcerária. Para debater sobre estes e outros assuntos relacionados, foram convidados o Desembargador do Tribunal Regional de Justiça do Rio de Janeiro, Doutor Siro Darlan, e o antropólogo e escritor Luiz Eduardo Soares.

Após o debate, teve inicio uma série de palestras sobre negócios inclusivos e desenvolvimento social por vias econômicas com os empresários Elias Tergilene, Sergio Gagliardi e Laércio Cardoso.
Após o intervalo para o coffee break, foi a vez do painel “Cultura nas Favelas” com a presença de personalidades como o cineasta Cacá Diegues e o cantor e compositor Dudu Nobre, que dividiram com o público histórias incríveis sobre suas trajetórias e carreiras, além da crescente expressão no cenário cultural das favelas, que inclui música, cinema e todo tipo de arte.

Uma das presenças mais esperadas do fórum, foi a da atriz e apresentadora Regina Casé, que dividiu com a plateia curiosidades e experiências sobre suas viagens pelo mundo e posteriormente promoveu um talk show com Cacá Diegues, Dudu Nobre, Elias Tergilene e os fundadores do DATA FAVELA, Renato Meirelles e Celso Athayde.


Para finalizar esse grande evento, um maravilhoso pocket show com Dudu Nobre e a Banda Batuk que animou a plateia.
E o fórum NOVA FAVELA BRASILEIRA volta amanhã, dia 05/11/2013, no Espaço CUFA localizado sob o Viaduto Negrão de Lima, em Madureira. 
Fica ligado!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Conheça o Setor F – por Celso Athayde


Desde que me entendo por gente e mesmo não sendo um grande conhecedor em economia, minha experiência como camelô vem me mostrando que o modelo empresarial no Brasil tem sido o responsável direto por muitos dos problemas sociais que vivemos. Chegar a essa conclusão não é difícil. Imagino que  todos os líderes sociais, intelectuais, políticos, religiosos, empresariais, assim como os ”buchas” de todos os setores também concordam com isso.  O ponto central dessa questão é: quais as sugestões e alternativas temos para apresentar? Percebo que, ao longo dos anos, a Economia Social vem ganhando bastante expressão. Seus objetivos passam necessariamente pela solidariedade e pelo desenvolvimento integrado da comunidade. Ela tem contribuído muito com o Estado em suas ações e infelizmente até o substitui, em alguns casos extremos. Mas é claro que esse não é o seu papel. Acredito que a função principal seja a de construir alternativas e, até no limite, ser um prolongamento do Estado na implementação de suas políticas sociais. Em síntese, a Economia Social é o que transforma os valores e até os costumes de um ambiente e muda a vida das pessoas em um país capitalista.

Pensando nisso, quero propor um novo debate para esse momento, um novo pensamento na direção da economia da favela, que estou batizando de Setor F. O assunto merece atenção no que diz respeito ao fenômeno de renda dos moradores desse setor. O PIB de muitos países, o da Bolívia, por exemplo, é menor que o volume do movimento da economia das comunidades brasileiras. É importante perceber que não estou falando somente das periferias, e, sim, das favelas, que existem inclusive nas periferias. Caso contrário, esse número seria muito maior e estaríamos falando em quase 70% da população.  É hora de  todos atentarem para esse “velho” Setor F: os do asfalto ou os das favelas. Esse exercício serve, inclusive, como um dos caminhos para demover o preconceito. Até aqui, os argumentos que muitos usavam para não se aproximarem das favelas foram a geografia complexa dos terrenos, que dificulta o acesso e demanda supostos grandes investimentos, ou o receio do poder paralelo. O fato é: precisamos  promover o encontro dos empreendedores desses dois mundos! Precisamos definitivamente assumir o desafio que é a geração de um valor compartilhado em que podemos revolucionar a administração, gestão e o planejamento dessa economia considerada ainda por muitos como  paralela, por ser parte de um ambiente que tem uma cultura própria e seus próprios códigos de existência e desenvolvimento. Esse território que pulsa economicamente e que exige investimentos e legalidade plena. Esse mundo que quer ser incluído em todos os seus aspectos, e assim transpor todas as fronteiras que ainda existem.

Para provar que é perfeitamente possível, acabamos de criar a Favela Participações S/A (Favela Holding), um grupo integrado por 20 empresas que tem o foco de atuação nas favelas brasileiras. Trata-se se uma sociedade entre a Favela Holding e grandes empresas dos mais diversos setores. Essa sociedade dará vida a empresas de eventos, agência de viagens, publicidade, MMA, shoppings, fábricas de móveis, editora, instituto de pesquisa, distribuidora, expansão de negócios e mídia, só para citar algumas.  A ideia central é que o empreendedor tenha a real percepção do retorno financeiro que essas comunidades irão trazer para o seu investimento. Em contrapartida, quero que o morador da favela tenha oportunidade de ser visto pelos empresários como protagonista desse processo de construção compartilhada. Ou seja, como sócios, de fato. Isso será feito pela primeira vez nessa relação comercial. Para que esses moradores possam executar esse papel de protagonismo, deverão se preparar para co-gerenciar seus negócios, para gerar lucros e para manter esse lucro dentro da própria favela, com o objetivo de promover uma melhor qualidade de vida ao lugar.  Alguns parceiros já começaram a colaborar com esse processo de formação, como Fundação Dom Cabral e SEBRAE-RJ.

Acredito que a grande revolução brasileira será o avanço da economia nas favelas, uma sociedade de 12 milhões de pessoas. Do contrário, alardearemos que somos a sexta economia mundial, comemoraremos em breve que alcançamos a terceira, mas, se as favelas não se desenvolverem, só aumentaremos a distância entre o Brasil que cresceu  e o outro Brasil que sucumbiu.

Exatamente por isso, resolvi investir em uma nova lógica de trabalho. O objetivo não é fazer nenhuma reparação ao trabalho que fiz com a CUFA até aqui, pois se tivesse que fazer novamente, eu faria exatamente a mesma coisa. Deixamos a CUFA como a instituição de maior capilaridade do país e uma das mais respeitadas que conheço. Mas, por outro lado, é preciso refletir o quanto é importante as organizações não virarem apenas um balcão de projetos. As ações não podem existir somente para fortalecer o ego das organizações e de seus líderes. Penso que um movimento social deve ser pautado pelo desenvolvimento dos coletivos, sejam eles parte ou não dessas organizações, sobretudo quando os recursos são públicos. Isso não é nem de longe uma crítica ao que foi possível fazer até aqui, afinal, nem sempre escolhemos as formas. Muitas das vezes, nos limitamos a seguir o fluxo.

A decisão de deixar a gestão da CUFA, apesar de me engajar em um projeto comercial que tem a mesma direção, pode não ser visto de forma natural por algumas pessoas. Novidades, sejam elas em que âmbito forem, sempre geram espantos.  Mas, enquanto eu viver, serei um inquieto que tentará se divertir surfando no olho do furacão. Precisamos seguir novos rumos, trilhar na direção do que acreditamos. E claro, continuar pagando o preço por sermos vanguarda em muitas ações. Lembro, por exemplo, de quando fizemos o primeiro grande show em uma favela no Rio, talvez no Brasil. Foi na Cidade de Deus, no ano de 2000, mais precisamente em uma noite de Natal. Produzimos um mega show, com direito a muitas lágrimas dos artistas e do público. Um encontro memorável entre a Cidade de Deus e Caetano Veloso, Djavan, Dudu Nobre e Cidade Negra. A mídia fez desse histórico acontecimento um caso de polícia. Mesmo assim, o fato possibilitou a leitura da sociedade e do poder público de que a favela também era um lugar onde os grandes eventos culturais pudessem e devessem ser realizados. Até hoje, fazemos grandes eventos em favelas, com parceria de muitos que nos criticaram na época. O importante disso tudo é constatar que, hoje, outros tantos parceiros fazem esse tipo de ação e com sucesso. Outro caso emblemático foi quando fizemos o filme  e o livro ‘Falcão: Meninos do Tráfico’. Lembro que, apesar de ter recebido prêmios em mais de 20 países, de ter recebido as homenagens mais importantes do país, o Bill e eu também fomos processados e acusados de fazer apologia ao crime e associação ao tráfico. Resistimos a tudo e seguimos em frente.

Felizmente, hoje essa resistência é reconhecida como um marco que possibilita muitas organizações e pessoas a se comunicarem com as favelas das mais variadas formas e até mesmo com o tráfico, com o objetivo de mediação de conflitos. Foi assim, em 2001, quando fizemos o primeiro projeto de formação de agentes da lei. A CUFA, em parceria com o Ministério da Justiça, qualificou guardas municipais para melhor se relacionarem com os jovens das favelas.
Eu poderia citar muitos outros momentos em que fomos considerados vanguarda na relação com comunidades, mas isso já passou e o futuro é o que nos desafia. Em nome desse desafio, lancei mão dessas relações para criar essa que é a primeira holding de favelas do mundo: a Favela Participações S/A.

Quero trazer à tona a discussão sobre a economia da favela, o Setor F: uma discussão sobre o que acredito ser a receita ideal do bolo capitalista, com muitos ingredientes dessa nossa economia social e compartilhada. Baseado no que construí, nas idéias que propaguei, em tudo o que acredito, e vindo de onde vim, eu precisava criar mecanismos para que o nosso desenvolvimento como conjunto fosse viável. E é aí que trago essa reflexão para essa nova mentalidade.

É importante que esses grandes empresários pensem além dos recursos disponíveis nas favelas. É preciso pensar no desenvolvimento de seus moradores, tanto para promover a empregabilidade em massa quanto o empreendedorismo. Para que os habitantes das favelas alcancem esse objetivo, antes de tudo, é preciso que os empresários percebam que uma sociedade entre eles seria mais do que um modelo que revolucionaria a economia das favelas. Deveriam considerar que seria o único modelo sustentável e que jamais foi testado coletivamente.

Para destacar os efeitos do Setor F, vou lembrar um pouco dos outros três setores. O primeiro setor: o privado capitalista, com fins lucrativos. O segundo: o setor público, que visa satisfazer o interesse geral da população. E o chamado terceiro setor, que é parte integrante da  Economia Social e está ligado à economia solidária. Na esfera dessa Economia, estão o associativismo, o cooperativismo e o mutualismo como formas de organização da atividade produtiva. Mas é importante pontuar algumas semelhanças e diferenças entre esse novo Setor F e o terceiro setor, que é uma categoria que traduz certas práticas que podem ser aplicadas em qualquer lugar. O Setor F não. Esse é bem específico: focaliza territórios chamados favelas (chamados pelo IBGE de aglomerados sub normais). O terceiro setor combina geração de lucro com benefícios sociais. O Setor F faz dessa combinação um projeto de afirmação política e cultural de comunidades. Acredito que as favelas se tornarão mais poderosas, em todos os sentidos, e mais capazes de pensar criticamente sobre si mesmas e sobre o país, na medida em que passarem pela experiência educativa, de aprendizado e desenvolvimento, e de tornarem-se protagonistas de um processo de interesse pessoal e coletivo. Visto por esse prisma, o Setor F se torna qualitativamente diferente do terceiro, porque o todo é maior do que a soma das partes. Por isso, o Setor F não é apenas a soma do terceiro setor mais cultura e política. Ele converte-se em outro tipo de experiência coletivaIsso impacta a própria dimensão econômica do que se chama Setor F, porque, se é preciso pensar o significado político e cultural de cada empreendimento, a avaliação não pode ser apenas econômica e social, como seria naturalmente no terceiro setor, do qual eu faço parte há quase 20 anos.

Daí a ideia de um shopping. Um shopping é um grande símbolo capitalista que pode ser apropriado e ressignificado, mantendo vários de seus aspectos clássicos como: lojas de marca, escadas rolantes, ar condicionado, praças de alimentação e um astral imponente. Nesse novo modelo, esse mesmo shopping pode construir novos aspectos também, como a presença das lojas locais que vão derramar produtos fabricados na própria favela, a exposição das mais diversas artes consumidas na comunidade ou ainda a relação entre seus próprios pares, na medida em que o ponto chave estará na relação entre os vendedores e clientes da própria favela, eliminando os históricos preconceitos. Outro ponto é a relação entre fraqueado e franqueadores, já que as marcas só garantem espaços no Favela Shopping se for via Franquia Social, ou seja, o franqueador investe em um empreendedor da favela, por ele identificado. Se por um lado haverá um investimento social ao ofertar a franquia, por outro haverá um ganho por muitos anos nesse mesmo espaço inovador. Para que esse modelo – de Franquia Social – seja aplicado, será preciso um processo de formação, qualificação e acompanhamento da gestão pelos que têm experiências em seus respectivos ramos de atuação. Mais do que isso: 100% dos funcionários do empreendimento deverão ser moradores da favela. Isso vai melhorar a qualidade de vida da população já que, além desses trabalhadores estarem menos tempo em trânsito, portanto mais tempo com seus familiares, o projeto vai gerar renda local e fazer com que esses valores permaneçam ali. Mas não paro por aqui. Como se não fosse bastante esse impacto positivo na economia da favela, outro aspecto, no caso dos shoppings, é a obrigatoriedade da criação de um projeto visual para todo o comércio no entorno do empreendimento, além de oferecer cursos de negócios para todos os comerciantes locais, visando o desenvolvimento dos interessados. Até mesmo o Estado tem a chance de pensar incentivos para estimular a o crescimento  de empreendedores nessas comunidades.

Estou convicto de que estamos iniciando um processo empreendedor jamais visto! O tempo nos mostrou que nenhum desses setores foi capaz de resolver, ou mesmo entender, as mais diversas dimensões da economia das favelas. O grande ensinamento que fica e a grande reflexão que todos devemos fazer é: ou dividimos todas as riquezas que todos nós geramos, ou, infelizmente, seremos obrigados a continuar convivendo  com as consequências da miséria que os concentradores de renda têm gerado ao longo da história. E todos temos a chance de mudá-la. A hora é agora!


CELSO ATHAYDE
Diretor executivo da Favela Participações S/A   

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Mudanças na CUFA


Anderson Quak assume a secretaria Geral e Celso Athayde, o conselho da Liga dos empreendedores.

Há 15 anos começava uma nova fase de empreendedorismo na minha vida, o empreendedorismo Social. Era o nascimento da cufa dentro da minha distribuidora de CDs de Hip Hop em Madureira, no Rio de Janeiro.  Nesse escritório trabalhava comigo uma dupla que passou a fazer parte da minha história. Minha ex-faxineira Nega Gizza e meu ex-cobrador e lustrador, MV Bill.

Essa veia empreendedora me acompanhava desde garoto, desde a Favela do Sapo e das ruas onde morei com minha família. Antes dessa empresa eu já havia experimentado outros negócios como camelô em Madureira, produção de bailes, birosca, venda de limão e alho na feira, só para citar algumas atividades.  Mas a transformação na minha vida se deu de fato quando criei a CUFA – Central Única das Favelas – em nome de uma luta que hoje me orgulha e muito.

De lá pra cá, essa tal de Central Única das Favelas só fez crescer. Há pouco mais de 3 anos anunciei que em 2012 seria o meu último ano na organização, quando depois dos 10 anos[1] de dedicação eu destinaria meu tempo a outros desafios e à família. E também porque, uma liderança precisa ter a sensibilidade de perceber o talento e a capacidade da nova geração para promover as mudanças e atualizações nos processos de construção de uma organização. O primeiro passo foi dado em 2010 quando MV Bill e Nega Gizza passaram suas faixas de presidente e vice da Cufa para os atuais comandantes nacionais: Preto Zezé (CE) e Dinorá Rodrigues (RS).

Essa transição só foi possível pelo esforço que a Cufa tem em formar novos quadros, capazes de manter o trem no trilho. Nesse processo os invisíveis se tornaram visíveis e fortes, sinônimos da própria Cufa.  Muitas vezes um bando de gente buscando a sua próxima fase, de empreendedor nato pela simples necessidade de sobrevivência.

Há tempos percebo as transformações que ocorrem nas favelas impulsionadas pelo empreendedorismo. Pessoas que acreditam em seus sonhos, se desenvolvem no meio da adversidade e transformam boas ideias em realidade. Foi esse pensamento e a necessidade de criar um ambiente favorável aos negócios dentro das favelas que nos levou a criar a LEC (Liga dos Empreendedores Comunitários).

Cada dia tenho mais convicção que a nova fase da emancipação das favelas passa necessariamente pelo fortalecimento da livre iniciativa e do empreendedorismo. Hoje, as favelas são um mercado consumidor de mais de 50 bilhões de reais. Se as favelas brasileiras fossem um estado da federação, seriam o 5º maior estado do país. A tal da Nova Classe Média cresceu mais nas favelas do que no restante do Brasil. Simplesmente não dá para ignorar o potencial que este novo mercado significa não só para as grandes empresas, mas principalmente para o empreendedor que mora na favela.

Como disse anteriormente, o meu prazo de validade termina justamente agora em 2012, quando vejo a nossa  família presente em todos os estados, fortalecida e fazendo a diferença na vida das populações das favelas do Brasil.  Num momento em que estes territórios recebem todos os holofotes pela determinante importância na economia do país. O que faz deste,  o momento mais adequado para a transição, para uma revolução interna, impulsionada inclusive pela profissionalização em gestão de lideranças da Cufa orientada pela Fundação Dom Cabral.

A cufa é hoje um filho que cresceu, mas continua filho e precisa de cuidados e eu vou continuar aqui, perto e cuidando desse lindo que me enche de orgulho.

Saio hoje do dia-a-dia da Cufa e a pedido do presidente, Preto Zezé, descanso até o dia 03 de janeiro, para tirar minhas primeiras férias em 15 anos de trabalho na cufa. Mas depois eu volto para  contribuir com o que acredito ser o próximo passo do verdadeiro desenvolvimento das favelas.

Acredito no empreendedorismo. Acredito que empresários de sucesso, surgirão nas favelas e em um futuro próximo irão inspirar nossas crianças, tanto quanto os jogadores de futebol e os músicos. Por acreditar no empreendedorismo como porta de saída da pobreza e da discriminação, passo hoje, dia 04 de Dezembro de 2012, para o irmão e amigo ANDERSON QUACK o Anu preto-Rio, que representa simbolicamente a missão de coordenar a excelente equipe da Cufa-Rio e o papel de Secretario Geral, e passo a me dedicar exclusivamente ao conselho da LEC, com o mesmo entusiasmo que tive quando na fundação da CUFA, ajudando e dando exemplos. Mostrando que não existe alternativa melhor, mais promissora e íntegra do que o sucesso construído às custas de muito suor e trabalho. Podem acreditar.

Daqui pra frente não faltarão exemplos de empreendedores de sucesso nas favelas brasileiras. Vida muito longa a cufa  e nossos agradecimentos a todos aqueles que estiveram do nosso lado estimulando cada um de nós na caminhada.  Obrigado também àqueles que nunca acreditaram em nós, vocês também foram fundamentais .

Vida longa a todos os amigos da cufa.

Boas festas e Feliz ano novo,

Celso Athayde.





sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Obrigado Seu Chico.


Cada favelado que veste a camiseta da Cufa encampa uma revolução pessoal, uma conjunto de transformações que transcende qualquer imaginário de vitória descrita em livros políticos, mudamos a história que nos cerca. Somos ensinados todos os dias que cada palavra que dada com amor é um presente e precisamos devolvê-los a altura.

Nosso Presidente, Francisco José Pereira de Lima, Preto Zeze, um pouco antes de uma viagem internacional, nos confessou ter orgulho em mostrar para seu filho, que um lavador de carros do Ceará poderia atravessar os portões da ONU, o que Preto Zeze não sabia é que essa mensagem também retumbava em outros corações, entre estes estava o peito do seu pai, Francisco Alves Lima, mais conhecido como Seu Chico.

Ele viu o filho se reunir com presidentes,  ministros, governadores, órgãos internacionais, viu o filho cuidar da família, aparecer na televisão como líder de uma das organizações mais importantes do Brasil, viu o filho não desistir do irmão, viu o seu menino fazer a diferença.

Ele realizou o sonho de todo pai, se viu através dos olhos do filho e deixou que seu filho se visse através dos seus e nessa troca de olhares ele pode ver que seu filho virou homem, viu que deu ao mundo alguém capaz de mudar histórias e vidas. Hoje Seu Chico partiu, como fez a vida toda ele lutou, lutou muito e depois de um tempo viu que a luta da matéria precisava cessar, tinha que começar um novo caminho de luz e luta e o assim fez.

Nosso Presidente não perde o pai, mas ganha um protetor, alguém que com sabedoria vai olhar os passos desse homem que lidera nossos sonhos.

Seu Chico a Cufa Nacional não somente lhe presta homenagem pela vida, mas lhe agradece pelo presente, um dos pensadores mais brilhantes que a favela já teve o prazer de abrigar e se hoje ele é o que é, com certeza tem muito do Seu Chico.

Uma boa passagem o obrigado.