sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Gangues de rua: violência ou auto-afirmação? Infelizmente, nem só o hip hop, grafite, dança e esporte integram as atividades de rua.
O garoto Francisco Serafim de Souza, de 10 anos, morreu com um tiro no peito no bairro Pirambu, em fevereiro; o estudante Benício da Costa, de 21 anos, foi fuzilado com vários tiros em abril, em Maracanaú; e mais três foram assassinados em julho, Luiz Severino de Lima, 19 anos, no bairro Messejana, e Francisco Ronaldo Azevedo, 22 anos, e outro conhecido apenas por “Bodim”, no bairro Serviluz. Em comum, o fato de que todos os crimes estavam relacionados com brigas de gangues.
A maioria desses casos de violência ocorre em comunidades carentes de segurança e proteção do poder público. Porém, o comportamento agressivo não deve ser associado ao poder aquisitivo. “De acordo com a condição econômica, você tem grupos com comportamentos semelhantes, mas que recebem outros nomes. Uma turma de jovens de classe média que se reúne para sair, por exemplo, é chamada de galera, uma denominação mais suave. E essas galeras também praticam atos violentos”, observa Domingos Sávio Abreu, sociólogo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), que participou como co-autor do livro “Ligado na Galera - Juventude, Violência e Cidadania na Cidade de Fortaleza” (Edições Unesco Brasil, 1999).
“Uma idéia que perpassa todos esse grupos de jovens é a da territorialidade. Seriam gangues de bairro, na verdade. Isso está ligado a uma série de ausências: como eles são despossuídos de bens que o poder público ou a sociedade de consumo não lhes dão acesso, decidem tomar conta de um determinado território e barrar a presença de supostos inimigos”, diz Abreu. “O fenômeno agrega ainda um certo caráter de heroísmo, que tanto atrai os jovens, ao fazer com que tentem penetrar no território proibido – o que provoca reações agressivas e vinganças, numa dinâmica de represália que não tem fim”, acrescenta o professor.
Para ele, o sentimento de posse e violência dos jovens pode ser desviado para outros valores ou atividades culturais, éticos e morais. “Os grupos de hip hop têm forte conscientização”, exemplifica. A opinião é compartilhada por Francisco José de Lima, o Preto Zezé, coordenador geral da Central Única das Favelas (Cufa) no Ceará: “Vejo o hip hop como um fio condutor de conteúdo, idéias e ações que podem mudar a realidade dos jovens e da comunidade onde vivem. Porque é uma manifestação de jovens, a sua maioria negros das comunidades, que, através de elementos culturais, tenta superar a invisibilidade imposta pela sociedade, apesar das distorções e contaminações da industria.”
Uma das questões fundamentais quando o assunto é gangues de rua é a construção da identidade de cada jovem. Para Maria das Graças Rua, cientista social e professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (Unb), que participou, em 1999, do trabalho acadêmico “Gangues, galeras, chegados e rappers”, publicado no Rio de Janeiro, "geralmente, a construção da personalidade, por esses jovens, se dá pela oposição: a pessoa passa a saber quem é porque não é como a outra, do grupo inimigo.” E esse processo, segundo ela, acontece principalmente nos grandes centros urbanos, onde a maior parte da população perdeu seus laços culturais ou de família - elementos de construção da identidade.
Para Zezé, a relação com as gangues deve ser trabalhada com cuidado nas comunidades. “Da minha geração, quase todos eram de gangues. Conhecemos muitos que se foram ou estão presos. A convivência se dá pelo respeito, pela reconhecimento da instituição gangue, e assim vamos coexistindo e ampliando o espaço de novas formas de diálogo e afirmação”.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Ministro da Justiça visita a CUFA - RS
Tarso Genro esteve presente no lançamento de base CUFA na Zona Sul da capital, no dia 25 de setembro de 2008. A CUFA RS fez o lançamento de sua base de trabalho no Morro Santa Teresa, Zona Sul da capital gaúcha. Os mais de 500 convidados assistiram a apresentação do balanço social da entidade e o planejamento estratégico para o próximos anos. Conheceram também, os talentos dos projetos desenvolvidos pela CUFA, como o grupo teatral TUMULTO que apresentou durante o evento trechos da peça que estréia no final deste ano.No lançamento foi firmado o termo de parceria entre a CUFA RS, ULBRA e a SERPRO para implantação de unidades digitais em contêiner na comunidade. Teatro, dança, fotografia, vídeo e inclusão digital.
Um dos momentos mais esperados da tarde foi a presença do Ministro da Justiça Tarso Genro, que acompanhado de outras lideranças políticas do Rio Grande do Sul, prestigiaram e reconheceram o trabalho desenvolvido pela CUFA em todo o Brasil.
"A CUFA por todos os lugares onde passo, me prova que é possível fazer mudança de dentro para fora. Nós, que hoje somos governo, podemos ver na CUFA o mesmo desejo de mudança que temos em nossos corações, e é por esse desejo que o Ministério da Justiça e o Governo Federal está a disposição dessa rede que vem transformando as favelas brasileiras para apoiar e contribuir como viemos fazendo", conta Tarso.
Manual dos Basqueteiros 2008/2009
Esta edição foi concebida pela CUFA – Central Única das Favelas e desenvolvida por Celso Athayde.
Todos os direitos desta obra são reservados a CUFA
Central Única das Favelas
Rua Carvalho de Souza - 137/111 - Madureira
Rio de Janeiro - RJ - CEP 21350-180 Tel: 21-3015-5927
Concepção e Coordenação do Projeto: CUFA- Central Única das Favelas
Elaboração do Projeto: Fernanda Borriello
Apoio: Ministério da Justiça
Revisão: Fernanda Borriello, Simone Basílio, Claudia Raphael, Ana Paula Sabbag, Gleice Ferreira e Jane Carvalho
Capa e Projeto Gráfico: Galdino e Leandro Gonçalves
Fotos: Fabiana Cruz e acervo pessoal CUFA
Editora: CUFA
Central Única das Favelas-CUFA
Manual dos Basqueteiros 2008/2009
O Manual dos Basqueteiros é o resultado da vontade de alguns “malucos”, que um dia se reuniram em um evento de Hip Hop para bater uma pelada com uma “lata de lixo” e quadra de basquete improvisada.
O QUE É BASQUETE DE RUA?
No ano de 2002, a CUFA – que sempre viu no esporte uma grande ferramenta a ser utilizada para promover a auto-estima da população – criou o primeiro campeonato nacional de Basquete de Rua, o Hutúz Basquete de Rua (HBR), que acontecia dentro do Hutúz Rap Festival, o maior evento de Hip Hop da América Latina. Equipes de 13 Estados brasileiros disputaram o torneio, que teve a duração de três dias.
Apesar de existir até hoje, o HBR se tornou pequeno, três dias já não eram suficientes para comportar o campeonato que atraia cada vez mais times e jovens de todo o país . A CUFA então criou a LIBBRA - Liga Brasileira de Basquete de Rua, que se tornou referência única nesta modalidade cultural-esportiva em dimensão nacional. Essa manifestação espontânea de amor ao basquete e ao Hip Hop, se consolidou enquanto movimento tipicamente urbano e se tornou um elo na relação entre o esporte, a cultura Hip Hop e o movimento social, dando assim, o sentido definitivo ao Basquete de Rua e do qual ele passava a ser uma vertente fundamental.
Uma manifestação esportiva com compromisso cultural e social que vem proporcionando aos jovens amantes da cultura urbana, a relação que transforma esse comportamento em um pólo de comunicação entre os jovens das periferias brasileiras.
Muito conhecido como "basquete-arte", marcado por jogadas geniais, divertidas e pelas diferenciadas dinâmicas de jogo, o Basquete de Rua não se prende às regras convencionais, cria suas próprias.
Elementos importatntes para o Basquete de Rua:
MC’s
Reconhecido personagem da cultura urbana, o MC(ou Mestre de Cerimônia) é a voz ouvida durante os jogos, pois ele fica dentro de quadra narrando todas as ações. Algumas vezes brinca com algum atleta ou alguém da torcida com o objetivo de criar uma maior interação.
Na quadra ele fica responsável por manter a animação da torcida, fortalece o equilíbrio dos jogos, reforça o repertório dos DJs, passa informativos do evento e as informações mais importantes, sinaliza a urgência médica em algum atendimento aos atletas, etc. A LIBBRA trabalha com três MCs oficiais. São eles: Max DMN, Cezinha e Tony Boss.
DJ’s
A música dita o ritmo dos jogos e por isso o som em quadra é muito importante.
O Dj, também conhecido como disc jockey (ou dee jay), seleciona e toca as músicas que rolam nos eventos de Basquete de Rua. Normalmente, o som que rola é o Rap. O DJ está sempre em sintonia com o MC de quadra, contribuindo para a animação do público. Muitos Dj´s já passaram pela história da LIBBRA e outros fizeram história na LIBBRA.
Apresentamos aqui alguns dos DJ`S que contribuíram para ajudar a entender e a conceituar melhor essa história que não pára de crescer.
Libbretes (antigas Cufetes)
As LIBBRETES, anteriormente conhecidas como CUFETES, dão o tom da animação da torcida na medida certa. As LIBBRETES ajudam a preencher os intervalos, interagem com a torcida, puxam cantos de animação, além de coreografias coletivas e promovem distribuição de brindes para a arquibancada.
Graffiti
Os artistas visuais urbanos aproveitam os espaços públicos para interferir culturalmente na decoração da cidade. Suas obras costumam ter um caráter poético-político e compreendem desde simples rabiscos até grandes murais executados em espaços especialmente designados para tal. A arte do grafite está presente nos eventos de Basquete de Rua, com telas e painéis sendo executados ao entorno da quadra, enquanto acontecem as partidas.
Este elemento é mais um que compõe o leque de possibilidade desta cultura urbana, onde o Basquete de Rua está inserido.
Break
Dançarinos (as) também conhecidos como breaker boys (ou b-boy) e B-girls.
Desempenham o papel de simbolizar a situação de mutilação a que está submetido o povo pobre, seja pelas guerras, pelo desemprego, pelas drogas ou pelas desigualdades sociais. Realizando movimentos "de quebrar" (to break), esses (as) dançarinos (as) demonstram o desejo das comunidades em romper culturalmente com o sistema opressor e explorador, bem como o seu anseio por um mundo melhor. É na construção desse caminho que o Break se encontra com o Basquete de Rua, em uma dança histórica em direção a cultura urbana.
Skate
Por praticar um esporte radical nas ruas, calçadas, estacionamentos, quadras esportivas, entre outros lugares, ele é um grande representante da cultura de rua. O Skate tem cumprido um papel importante, não somente na formação e participação desses jovens nos eventos, como em uma competição paralela nas arenas da LIBBRA. O maior legado desenvolvido na relação entre o skate e o basquete tem sido a perspectiva de uma nova identidade para esses jovens que até pouco tempo eram alijados de toda e qualquer forma de emancipação.
Libbrinha
A partir de 2009, a CUFA passará a organizar um campeonato de basquete Sub-17, tanto para meninas quanto para meninos. Os jovens que participarão deverão ter idade entre 12 e 16 anos até o início do torneio.
O tempo de jogo e as regras serão as mesmas desenvolvidas pela Liga Brasileira de Basquete de Rua (LIBBRA), exceto em relação à altura das tabelas, que será de dois metros e oitenta e sete centímetros.
Os jogadores só poderão participar com permissão (por escrito) dos pais, além de atestado de saúde e todos os documentos exigidos pela Central Única das Favelas.
Atletas com idade superior a 17 anos somente poderão disputar a LIBBRA, e não mais a Libbrinha.
Presidente de Honra da LIBBRA
Nega Gizza é uma Rapper fundadora da Central Única das Favelas, nasceu no Parque Esperança, Baixada Fluminense. Se tornou a Presidente da Liga Brasileira de Basquete de rua por estar presente na ponta de todas as ações desenvolvidas pela instituição.
Gizza é a primeira Rapper a montar seu próprio selo, incentivando nas bases de luta o empreendedorismo; é a primeira locutora de rap em rádio FM no Brasil, e entre suas atribuições estão recepcionar todo o público, manter o bom relacionamento entre basqueteiros, grafiteiros, Mc's, Dj's, B-boys e todos os outros que participam ativamente do evento.
Vice – Presidente de Honra da LIBBRA
Mv Bill já possui uma carreira de sucesso dentro do mercado Hip Hop, transita
em vários seguimentos da sociedade e movimentos, entre eles , Social, o das favelas, movimento negro, de juventude. Recebeu vários prêmios por essas militâncias; entre os prêmios recebidos podemos destacar, Orilaxé ( Juventude ), Unesco ( Direitos Humanos, ) Onu ( Cidadão do Mundo, Barcelona ), vem se firmando como autor de Best Sellers, produzindo filmes e documentários.
Mas sua real revolução é a atuação com os jovens da CUFA , entidade que ajudou a fundar e ocupa a função de Vice - Presidente de Honra da LIBBRA. MV Bill também viu no Basquete de Rua uma forma de converter muito mais do que cestas , mas a vida de muitos jovens com origem parecida com a sua na Cidade de Deus, seu bairro, sua comunidade , sua favela. Para coroar em grande estilo essa relação, MV Bill nos brinda com o Hino da Liga Brasileira de Basquete de Rua que hoje também faz parte da construção dessa filosofia urbana chamada Basquete de Rua do Brasil .
Dialeto das Ruas
Afrouxar: Dar moleza.
Água de salsicha: Jogo ruim.
Apagado: Jogador que não fez nada, foi muito marcado.
Apagão: A jogada em que o atleta cobre a cabeça do outro com a camisa.
Apagar: Marcar muito um jogador, não deixá-lo evoluir em quadra.
Aqui não!!!: Toco.
Bagunçar: Esculachar, humilhar o adversário.
Barulho: Aplausos da Torcida.
Bater a carteira: Roubar a bola do adversário.
Bate-bola: Jogador que só dribla e não marca pontos.
Bebezão: Jogador que reclama de tudo.
Bicho: Jogador que ignora a marcação, nas enterradas.
Chapa quente: Jogo muito disputado.
Coca-Cola: Jogador ruim, que só tem pressão.
Coquinho: Quando o jogador bate com a bola na cabeça do seu adversário.
Cravada: Enterrada.
Dançar: Ser envolvido pelas manobras do adversário.
Entorta o Pé: Deixar o adversário no chão com um drible.
Espinha: Quando o jogador esconde a bola nas costas do adversário.
Espremedor de laranja: Dar um toco e prensar a bola na tabela.
Estilizo: Jogador que tem swing no jogo, e as roupas caem bem nele.
Freestyle: Movimentos livres feitos pelos jogadores.
Jogo de comadre: Jogo sem marcação, no qual todos fazem cesta.
Jogo de Futebol: Partida com poucos pontos.
Jump shot: Arremesso.
Ligação direta: Quando o jogador passa a bola para outro que está muito distante dele.
Mamão com açúcar: Quando o adversário é muito fraco.
Mano a mano: Quando um jogador chama o outro pra "dançar", na intenção de desmoralizá-lo.
Marrento: Jogador com muita pose.
Mascarado: Jogador metido a bonzão.
“Meu Deus": Expressões muito utilizadas pelo MC Max e que já é referência no Basquete de Rua.
Mr. M: Quando o atleta simula que passou a bola adiante e esconde-a entre as pernas.
Na Cabeça: Enterrada sobre marcação do adversário.
Na Cara: Cesta feita com marcação do adversário.
Pancadão: Perder ou vencer por uma diferença muito grande de pontos.
Pedra: Quando o DJ solta um som muito bom.
Pega-pega: fazer marcação homem a homem (ou mulher a mulher).
Ponte aérea: O jogador recebe um passe no alto quando está indo em direção a cesta e o completa com uma enterrada.
Se Liga: Quando o Jogador atira levemente a bola na testa do seu marcador.
Sem braço: Jogador muito ruim.
Seu Boneco: Quando o jogador esconde a bola na camisa.
Sinistro: Jogador muito bom.
Socada: Enterrada.
Tomar um sprite: Errar a cravada, prensando a bola no aro.
Traz o Troco: Quando o jogador finge que vai arremessar enganando o adversário fazendo-o pular.
Trombadinha: Jogador que rouba a bola do adversário.
Varrer: Dar um chega pra lá no adversário, expulsá-lo da sua área.
Esta é a primeira publicação de Basquete de Rua do Brasil
Desenvolvida por Celso Athayde (o Mesmo de “Falcão -Meninos do Tráfico” e “Falcão Mulheres e o Tráfico”) esta obra foi produzida no seio da CUFA- Central Única das Favelas com o objetivo de centralizar em um só espaço todas(até agora) regras e manhas do basquete urbano.
Fortalecer a prática do esporte através da cultura Hip Hop, é fomentar também a inclusão social, tirando da ociosidade, jovens das periferias de todo o país.
Celso Athayde viu nesta modalidade de esporte urbano a oportunidade e o desafio de alcançar mais jovens moradores de periferias com a linguagem que eles entendem bem, e desta forma, criar ferramentas para tirá-los do campo de visão do risco social. Dando a eles mais perspectivas de vida.
A CUFA hoje é a maior organizadora da prática do basquete de rua no Brasil, agregando cada vez mais parcerias para aumentar o número de jovens atendidos em suas bases por todo o território nacional.
Realização:
CUFA - Central Única das Favelas
www.cufa.org.br
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
MV BILL – Lança no livro Falcão - Mulheres e o Tráfico
CUFA CAPIVARI DE BAIXO
Nessa Segunda-Feira dia 15/09/2008, MV Bill o lançamento do Livro Falcão – Mulheres e o Tráfico fazendo uma palestra para cerca de 1000 pessoas - no Clube Estrela, em Capivari de Baixo.
O livro relata a experiência e a convivência entre os autores e as entrevistadas, mas faz um apelo social.
- A partir do enredo discutimos os problemas e valores das classes carentes de cultura e educação, à mercê da sociedade e das autoridades, envolvendo gênero, miscigenação e condição social, mesclado às drogas e sexualidade - diz o ativista que sempre morou na Cidade de Deus/ RJ, e quando adolescente, sentia incômodo ao perceber o mundo da criminalidade. Foi algo que sempre bateu à porta mas, graças a Deus, desde cedo vi que não era o melhor caminho e saí a falar isso para todos os tipos de pessoas, indo além do movimento Hip-Hop. Hoje não é alicerce, apesar de sua importância. buscamos também outros focos e outros movimentos para falarmos com um público maior - comenta MV Bill, que além de cantor de hip-hop e escritor, é compositor, arranjador, documentarista e roteirista.
A idéia de trazer MV Bill ao Sul de Santa Catarina partiu do primeiro evento organizado pelo grupo capivariense Tribos Conexão Cultural dos Bairros, na segunda quinzena de agosto, quando o jornalista e diretor da Central Única das Favelas - Cufa - do Rio Grande do Sul, Manoel Soares, fez palestra no município, recebido por um público que lotou o ginásio de esportes.
Palavras do MV BILL - Confesso que desacreditava na organização dessa juventude, mas estou surpreso, pois esses meninos aceitaram a provocação. Com rapidez e habilidade estruturaram todo o evento e criaram aqui uma Cufa. É disso que precisamos: da sociedade ousada e organizada - enaltece Manoel.
Parabéns a todas as pessoas envolvidas no evento, um grande começo da caminhada.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Conselho Nacional de Promoção a Igualdade racial já inicia trabalho
Confira a reportagem na integra em http://cufacuiaba. blogspot. com/
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Ipea: Brasil vê desigualdade entre brancos e negros diminuir
O estudo do Ipea tomou como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) lançadas pelo IBGE entre os anos de 1996 e 2006. A designação 'branco' ou 'negro' foi estabelecida segundo autodeclaração dos pesquisados. Segundo dados do estudo, em 1996, 82,3% dos negros estavam matriculados em etapas do ensino fundamental adequadas à sua idade e apenas 13,4% no ensino médio. Em 2006, essa porcentagem subiu para 94,2% no ensino fundamental e 37,4% no médio. A proporção de negros e negras que estudavam no ensino médio, entretanto, ainda é muito menor que a de brancos - que chegou a 58,4% em 2006.
A renda média do trabalhador negro também cresceu, embora o aumento não seja muito expressivo: o rendimento médio de 2006 foi R$ 19 mais alto que em 1996, ou 3,93%. A queda da diferença entre os dois grupos se deu devido a diminuição dos rendimentos dos homens brancos, que passaram de R$ 1.044,20 a R$ 986,50. Os demais grupos estudados (mulheres brancas e negras e homens negros) tiveram aumentos.
Mesmo com essa alta, a discrepância é grande. Os brancos ainda vivem com quase o dobro da renda mensal per capita dos negros - pouco mais de um salário mínimo a mais.
Outros dados
Outras constatações do estudo mostram que a população negra é menos protegida pela Previdência Social do que os brancos - especialmente no caso da mulher negra - e começa a trabalhar mais cedo para se aposentar mais tarde. A renda dos negros é extremamente baixa comparada à dos brancos, e está muito próxima ao valor do salário mínimo', diz o professor Claudio Dedecca, do departamento de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em São Paulo.
Dedecca explica que a oscilação da renda de negros e brancos teve sinais diferentes entre 1996 e 2006 porque os acréscimos ou decréscimos nos pagamentos têm diferentes origens. 'O comportamento da renda dos brancos é definido por negociação coletiva ou fluxos do mercado de trabalho. Então, nesses últimos 13, 14 anos, acompanhou a queda na renda média da população. Já a dos negros está associada à evolução da política do salário mínimo.'
Além do crescimento dependente das políticas públicas, a evolução da renda entre negros e queda entre os brancos não se refletiu na erradicação da pobreza. Se em 1996 46,7% dos negros eram pobres, o percentual desceu em 2006 para 33,2. Na prática, cerca de 2 milhões de pessoas deixaram a pobreza num período em que a população ganhou mais de 32 milhões de brasileiros. Entre os brancos, o número absoluto de pessoas que deixaram a pobreza foi de cerca de 5 milhões, mesmo a queda em pontos percentuais tendo sido menor - de 21,5% para 14,5%.
Especialistas dedicados à questão da desigualdade racial concordam entre si com a raiz histórica deste vácuo econômico entre brancos e negros. Educação básica deficiente e pouco universalizada, a herança histórica deixada por séculos de escravismo e uma tradição de ocupar empregos de pouco prestígio social estão entre as causas da diferença.
Herança
Para o sociólogo Rogério Baptistini Mendes, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), o fim da escravidão sem a criação de um mercado de trabalho que absorvesse a mão-de-obra negra e herança de concentração fundiária na mão de ricos produtores agrícolas privaram a população negra de acesso a 'mecanismos democráticos de ascensão social, econômica e cultural'.
'A sociedade brasileira foi constituída em três séculos de colonização e quatro de escravidão. Isso gerou uma estrutura de segregação absoluta que foi sendo superada ao longo do século 20, mas não na velocidade necessária para democratizá-la', explica Baptistini. 'Não temos mecanismos para distribuir a renda. É como se no século 21, ainda vivêssemos em uma sociedade escravocrata.'
O economista Vinícius Garcia, mestre em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp, aponta a geografia como outro importante fator para explicar a concentração da pobreza entre os negros. 'No nosso estudo, vimos que a população negra está super-representada nas áreas menos desenvolvidas do país, como no Norte e no Nordeste. E é menos concentrada em regiões como o Sudeste, que tem uma estrutura econômica mais dinâmica', pondera ele.
Diretora de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Palmares, Bernardete Lopes defende que o estudo do Ipea é importante para provar à sociedade que os preconceitos raciais não foram superados no Brasil. 'Acho que essa pesquisa vai fazer algumas pessoas entenderem quando dizemos que o país precisa de ação afirmativa e precisa de cotas, porque mostra que não vivemos numa democracia racial, e que a discriminação não era pela pobreza, mas sim pela raça e pela cor', afirma.
'É muito doído perceber que, embora o movimento negro tenha conseguido grandes vitórias e o Estado brasileiro hoje esteja preocupado em diminuir as diferenças, elas continuam sendo sempre o dobro', completa Bernardete, referindo-se a distância de quase 50% entre os salários de pessoas que nasceram com cores de pele diferentes.
Fonte: Uol
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Eleições 2008
A CUFA – Central Única das Favelas é uma organização social, constituída em rede de trabalho nos 26 estados brasileiros e Distrito Federal.
Através de parcerias com o governo, empresas privadas e outras organizações do terceiro setor é possível realizar ações e projetos voltados à educação, cultura, esporte, cidadania, meio ambiente e geração de renda, que podem melhorar a qualidade de vida dos jovens moradores das favelas e comunidades populares.
Porém, a CUFA não apóia nenhum candidato e partido, apesar de respeitar todos e ter hoje relações próximas e muitos amigos que fazem parte do processo político profissional.
Acreditamos que a forma mais democrática de respeitar a democracia é resguardar a nossa credibilidade e nossa independência, e por isso, se algum político, ainda que amigo e irmão estampar nossa imagem induzindo seus eleitores a crer que somos seus cabos eleitorais, iremos lamentar, mas teremos que desmentir, pois acreditamos que esses mesmos aliados precisam prezar pela forma mais pura de fazer política, o compromisso com a verdade.
E a verdade é: A CUFA APÓIA A DEMOCRACIA E O ÚNICO PARTIDO PARA O QUAL ELA TRABALHA É A FAVELA, SENDO SEUS REIAS CANDIDATOS OS MORADORES DESSES ESPAÇOS FÍSICOS QUE VIVEM
Todos que quiserem se comprometer com a nossa verdade, serão sempre nossos parceiros, independente de partido ou movimento político, desde que o intuito seja o de transformar a comunidade e a vida de nossas pessoas que nelas vivem...